Neste dia 28.07.2021 comemora-se o Dia Mundial contra as Hepatites Virais.
É urgente manter viva e atualizada a informação sobre este tema para que todos e cada um de nós tome consciência e assuma as medidas e comportamentos que levem à erradicação deste flagelo.
A hepatite B e a hepatite C no seu conjunto afetam 325 milhões de pessoas no Mundo.
A hepatite C tem 67000 casos anuais e provoca 84000 mortes anualmente.
Por solicitação do Montepio N. S. da Nazaré fica o meu contributo para que individualmente e coletivamente assumamos as medidas urgentes e necessárias para eliminar este flagelo.
A hepatite é definida como uma inflamação aguda ou crónica das células hepáticas que pode levar à necrose das mesmas.
Para além dos vírus da Hepatite (A-B-C-D-E) outras causas podem provocar hepatites.
Fica uma breve referência e alguns exemplos.
– Hepatites autoimunes em que o sistema imunitário não reconhece as células hepáticas e produz anticorpos como se elas fossem um “corpo estranho”.
– Hepatites tóxicas alimentares – álcool e cogumelos (Amanita phalloides)
– Medicamentosas – Paracetamol, Isonizida, antibióticos, anti-inflamatórios
– Infeciosas menos frequentes por outros vírus – Mononucleose, febre amarela, citomegalovirus.
– Bacterianas – Leptoespirose
– Fungos – Histoplasmose
– Parasitária – Malária Fascioliase
Debrucemo-nos sobre as hepatites virais mais problemáticas (A-B-C-D-E)
Hepatite A – Via de contágio por via alimentar ou interpessoal. Devemos ser rigorosos na higiene das mãos. Cura espontaneamente com repouso e terapêutica de correto suporte alimentar. Cria imunidade no organismo e não evolui para a cronicidade.
Hepatite E – Menos frequente e limitada geograficamente (India, México). Não evolui para a cronicidade. Tratamento com Ribavirina. Vacina nos países com endemia.
Hepatite B – a existência duma vacina eficaz que em Portugal é aplicada logo ao nascer, o cumprimento da vacinação completa e o cumprimento das medidas de prevenção criam fundadas esperanças que a hepatite B deixe de ser o gravíssimo problema de saúde pública.
O contágio é por via sanguínea por material infetado e por via sexual em relações não protegidas. Cursa muitas vezes sem tradução clínica e evolui em 5% dos casos para a cronicidade e com frequência complica-se com cirrose hepática e necessidade de transplante.
Não há medicação que erradique o vírus. A medicação com antivirais mantém o vírus inativo.
Hepatite D – O vírus da hepatite D não infeta isoladamente e aparece sempre associado ao vírus da hepatite B. A via de transmissão é a via sexual e a vacina contra a hepatite B impede a infeção pelo vírus D.
Hepatite C – Tem como forma de contágio sobretudo a via sanguínea. Pode evoluir silenciosamente durante anos e é a causa de cirrose e cancro no fígado e determina com frequência necessidade de transplante hepático.
Não existe vacina contra este vírus, mas terapêuticas recentes com associações de antivirais conseguem erradicar definitiva e completamente o vírus em mais 95% dos casos.
Não podia deixar de expressar medidas de prevenção que individual e coletivamente devemos assumir de forma ativa para combater este flagelo.
– Cuidados alimentares – não utilizando alimentos de origem duvidosa, evitar hábitos alcoólicos.
– Não se automedicar.
– Combater o sedentarismo.
– Não consumir drogas por qualquer via.
– Vacinação contra a hepatite A e B.
– Vacinação de familiares e amigos de doentes infetados.
– Cumprir o calendário de vacinação contra outras doenças.
– Em caso de estar infetado ou ter tido contatos de risco alertar parceiros(as) sexuais e consultar o médico de família.
– Usar preservativo em latex em relações ocasionais.
– Não partilhar agulhas, seringas, artefactos de barbear, depilação e escova de dentes (longe do alcance das crianças).
– Assegurar que agulhas de tatuagem, acupuntura e piercings sejam material descartável.
– Em caso de feridas abertas não contatar com a pessoa infetada. Se estiver contaminado destruir o material de penso.
– Se estiver infetado avisar o médico e pessoal de enfermagem da sua situação em caso de consultas ou exames.
– Mulheres que tencionem engravidar consultar previamente o médico de família.
“Por uma saúde solidária.” Trabalhadores da saúde e cidadãos em geral cumpramos o dever
cívico de respeito pela vida humana.
Dr. Vaz Teixeira, Gastroenterologista
Integra o corpo clínico do Montepio Nossa Senhora de Nazaré desde 2007
